the girls bed – jakub schikaneder – 1910

Sonho do dia 29 de Outubro de 2012

Eu estava numa casa imensa, uma espécie de mansão americana ou europeia daquelas com corredores obscuros e madeira de má qualidade que aparece nos filmes antigos das madrugadas da emissora de televisão que mais resiste ao fim das atividades sem entrar em estado de hibernação até a manhã seguinte. Andava por vários cômodos até que “percebi” uma cena: – Um homem de chapéu conversava com alguém sobre um alçapão que havia ali. Esse alçapão era num andar bem alto então passava por vários andares, podia-se ver as camadas dele no buraco, calculo uns 4 ou 5 andares abaixo. E cada andar havia uma espécie de camada protetora tapando o buraco. Essas camadas eram peles de animais. Como aquelas peles de urso que se esticam no chão como tapete, só que eram pele de gatos, lebres e raposas. No buraco referente ao primeiro andar, havia a pele de uma grande raposa. Esse homem tira o chapéu e pula no alçapão, rompendo uma por uma as barreiras e caindo lá em baixo. Não vejo o que acontece com ele.

Logo estou andando novamente por essa casa e encontro uma saleta onde provavelmente deve ser o último andar, a porta é pequena e preciso me encurvar para entrar, semelhante a aqueles quartos de sótão com o teto baixo, que na verdade, já são o próprio telhado. Entro na sala e percebo que está cheia de gente, todos me olham como se eu fosse esperado, mas estivesse atrasado. Vejo muita gente conhecida, na verdade, todos eram conhecidos. Gabriel do Centro Espírita, o Cassiano, Eber, etc. Muita gente. É uma espécie de saleta de cinema, hora parece que a luz está fraca e algo está sendo exibido outra hora parece que está apenas normal com luz baixa, tipo aquela pizzaria antiga de São Mateus que tinha a estranha característica de contratar apenas garçons negros, além claro, do fato de ser iluminada no padrão americano, unicamente por abajures de parede com luz amarela difusa que causa uma espécie de torpor nos namorados, e aquele enrijecimento de receio nos testículos dos homens mais jovens que arriscam um primeiro encontro completamente amador.

Sento-me ao lado de Rodrigo, meu primo e sua namorada Carolina. Ambos estão tristes, mas o Rodrigo ainda faz um esforço para conversar, Carolina nem ergue a cabeça, apenas toma suco em silêncio. Ficamos conversandinho de boa até que a Edna chega eufórica e desajeitada dizendo que não sabe o que escolher, pois ganhou um “patrocínio” ou um “subsídio” para colocar um monumento artístico na casa dela (na hora visualizei uma estátua imensa, digamos, o pé da estátua seria do tamanho da casa dela, e ficaria no meio do quintal), e ela não sabia que monumento artístico escolher e queria nossa opinião. Eu achei aquilo bizarro e desnecessário e acabei ficando em silêncio, ela estava muito empolgada de forma infantil com a ideia e não percebia o quão absurdo seria gastar dinheiro (mesmo que ganho) em algo assim. O Rodrigo então falou para ela: – Estude! (Como se dissesse: -Gaste com uma faculdade, faz mais sentido). Ela acabou não dando bola, apenas não gostou da resposta.

Nessa hora o sonho havia mudado. Eu estava só de cueca boxer branca andando por um estacionamento de shopping, precisava ir ao banheiro. Entro no shopping percebo que estou só de cueca, mas não há nada a se fazer. Sigo para o banheiro que fica ao lado de um balcão do Mac Donalds, o banheiro é quase um labirinto e custo a encontrar o caminho até uma das privadas. Vou até a última de forma quase arrastada, como se a gravidade estivesse prejudicando severamente meu desempenho em busca do alívio, porém esta estava trancada, o funcionário (um dos muitos que vi no caminho) indica um sanitário livre, vou até ele e no lugar de mijar acabo por decidir tomar banho?!, mas do nada não estou mais no banheiro do shopping, percebo que ali de dentro do “box do chuveiro público” posso ver uma vista panorâmica da cidade, não sei qual cidade se tratava, chutaria Ponta Grossa. Não dou bola para o fato do cenário ter mudado e continuo a tomar banho, a porta do box não fechava, percebo que tinha uma espécie de peso no chão para segura-la fechada, esse peso era um Mamão Papaya amarrado em um pedaço de pau. Tento ajeitar esse mamão para segurar a porta, mas acabo desistindo, afinal de contas a vista é bonita. E tomo banho de boa.

Num último fragmento paralelo dessa noite guardo a lembrança de um sonho onde converso com Carol e quando ela sorri percebo que seus dentes estão todos esburacados. Como um queijo suíço, ambos não estamos perturbados ou abalados por isso, mas fico surpreendido com o tipo de seus dentes, lembram um paredão de fuzilamento, muitos buraquinhos por todo o sorriso.  Não consegui achar interpretação eficaz para isso.


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