E nada mais verdadeiro que usar um blog falido para expor as veias mais inflamadas de um corpo compulsivo que urra por necessidade de compreenssão, não e outrem, mas de si próprio. A fantástica, absurda e vaga busca por si próprio que jamais vem a se acabar, e que vez ou outra esbarra em mil e um outros seres que da mesma forma dançam nesse balé tortuoso de gente vendada, abatida e aflita, que sua frio em busca de claridade mental ou ao menos um devaneio leve. Aquela brisa auspiciosa de começo de primavera que quando você sente você sabe, tudo ficará bem, ao menos por um tempo.

Logo vem o inverno, daí as coisas começam a tomar proporções muito mais sérias. Definitivamente os últimos 12 meses foram catastróficos, ainda que nítidamente positivos para inúmeras coisas. Mas parece que para se ganhar certas coisas, outras precisam ser perdidas. E neste caso, a perda infelizmente foi maior que a vitória. Não é por perder ela. É por perder tudo que ela representava. Quando perde-se toda a força que tinha para esperar algo do mundo (mesmo já sendo fragilizado antes disso).

Pare. Isso daqui não é um desabafo. Isso daqui é um vômito putrefato, uma lamúria urrada sem condições de clareza e expectativa. É um suor de frio advindo de uma tarde nublada tempestuosa com sensação de mau agouro. É um desespero por não receber respostas, é a sensação de acordar de manhã e mal ter tempo para espreguiçar-se e lembrar-se do inferno que sua vida se tornou e transformar a expressão amena em amarga num piscar de olhos. É pra se pensar em Cioran e em como ele seguiu, e pensar em Camus e em como ele teria seguido se não tivesse se acidentado. A falta de oportunidade de acreditar na humanidade é sem dúvidas a força mais feroz e mais cruel das últimas gerações. A sensação de que todos os caminhos levarão para o sofrimento faz clareza nos caminhos únicos que sobram: O budismo? O isolamento?
Ouvir as notícias e desejar tão severamente, sinceramente a morte desses fascistas malditos, desejar que direitos humanos não se apliquem a todos e que alguns precisam sofrer seriamente. Ouvir histórias vagas sobre como algumas pessoas tiveram eternos transtornos pós traumáticos depois de acidentes ou de presenciar mortes, e saber que adquiri o mesmo tipo de disturbio simplesmente por assistir a coleção inteira de Traços da Morte e Faces da Morte faz de mim um ser repulsivo, daqueles que definitivamente não tem cura.

A tristeza da solidão e da certeza da falta de corações que possam abrandar minha dor que queima a alma tornam-se dia após dia uma espécie de tumba petrea gelada e ácida que corrói o tempo e a carne, não vejo métodos. Tudo que tenho é uma ambição financeira para que possa suprir meus caprichos e me torne rico o suficiente para poder ter uma vida confortável. E na área real, tudo, tudo que realmente importa e me faz diferença é a minha filha. Minha querida filha. É ela que é meu real e único norte. E as vezes eu queria que ela não existisse, só para eu poder morrer sem culpa. Mas ela está aqui, é real e é a melhor coisa que já presenciei, então tudo que posso fazer é jurar a mim mesmo dar a ela o melhor, do melhor, do melhor.

Inúmeras vezes fico pensando que estou no limite do surto, talvez eu seja imaturo, talvez eu não tenha aprendido a sofrer direito. Os trovões nem chegam a se armar dentro de mim e já caio em buracos vazios de dor e escuridão. Eu mal tenho tempo para sofrer, o que é bastante sério.
O que me falta é tempo? Tempo para sofrer?

Eu mal sei chorar com qualidade.


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